Essencia de Mulher

Um blog para mulheres e homens de mente aberta

domingo, setembro 03, 2006

Divagando sobre a solidão



Como já tenho repetido várias vezes ao longo de quase um ano de existência deste blog, eu aqui vou relatando um pouco da minha experiência de vida. Longe de mim querer impingir as minhas ideias, filosofias, crenças... . Simplesmente senti necessidade de as partilhar. Partilhando podemos aprender e ensinar muita coisa. Muitas vezes, nestes meus últimos anos de existência senti-me sozinha, desenquadrada do Mundo e nessas alturas gostaria de ter tido alguém com quem trocar ideias, ou que me fizessem questinar certas coisas, ou mesmo que me abrissem novos horizontes. Fui encontrando ajuda em livros, terapeutas... Dei conta também do quanto a escrita pode ser útil. Ao passarmos para o papel, ou ecran muitos dos nossos pensamentos, eles acabam por tomar uma dimensão muito diferente do que se os deixarmos estar num emaranhado de ideias soltas e confusas. A solidão, para mim, tem-se revelado um fenómeno muito interessante e de grande aprendizagem. Tive alturas em que me sentia extremamente sozinha, apesar de estar rodeada de amigos e família. Fui perdendo os amigos e alguns familiares afastaram-se. Muitas vezes revoltei-me com a solidão e com o pouco que eu sentia que as pessoas que me rodeavam faziam por mim. Para mim elas tinham obrigação de me tirar daquele sufoco. Nunca estava satisfeita. Hoje tenho a nítida sensação que as pessoas não faziam mais porque não podiam. Eu é que não estava receptiva, era como se estivesse cega. Foi preciso perder muita coisa mesmo para me dar conta que eu é criara a minha própria solidão , esquecendo-me de mim. Com muitas destas situações a repetirem-se vezes sem fim fui-me dando conta que o facto de nos sentirmos sozinhos não tem a ver com o Mundo que nos rodeia mas connosco mesmo. Em grandes momentos de solidão fui aprendendo a conhecer-me, a estar comigo, a aceitar-me, a perdoar-me, a não ser exigente comigo... Para mim tornou-se uma ilusão o facto de pensarmos que alguém nos pode tirar da solidão. Tudo tem de partir de dentro de nós. Quando aprendemos a gostar da nossa própria companhia, ficamos receptivos à companhia dos outros. Começamos a atrair situações cada vez melhores nesse sentido. Não tem sido fácil esta aprendizagem. Quando olho para trás e vejo o que passei, as coisas e pessoas que perdi, sinto que no fundo fisicamente nunca estive sozinha mas eu própria tinha-me abandonado. Daí a insatisfação e a pouca receptividade a tudo e todos.Tive de me encontrar. Estava dificil aprender a lição e os padrões foram-se repetindo de formas cada vez mais dificeis e complexas. Ainda hoje, por vezes, sinto-me sozinha. Com vontade de um abraço, de uma palavra amiga... Sou até capaz de chorar como uma criança que quer colo, mas rapidamente de recomponho e "abraço" esses momentos, aproveito-os para estar comigo. A minha vida está a mudar, esta aprendizagem vai continuar e outras virão. Espero é não criar resistências e estar mais alerta para as coisas não serem tão dolorosas. A meu ver nunca poderemos resolver um problema sem primeiro o resolvermos interiormente. Existem "trabalhos" que só podem ser feitos por nós mesmos. Os que nos rodeiam só podem dar "pistas" sobre o que está no nosso interior.

10 Comments:

At 1:16 da tarde, Blogger Vida said...

Minha amiga emocionei-me com este texto, de uma forma simples e verdadeira partilhas aqui connosco uma grande lição de vida, a tua aprendizagem. Bem hajas por isso e que continues o teu percurso bem acompanhada por ti própria.

Beijinhos.

 
At 7:20 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Pois é, se não gostarmos de nós proprios, será muito dificil aceitarmos tudo o resto. Autoconfiança, autoestima, autocontrolo, tudo passa por cada um de nós e não por alguém nos apoiar ou dizer coitadinho/a. Pela simples razão que ninguém gosta de coitadinhos/as, mas sim tem-se pena deles. Mas encontrarmos o nosso melhor caminho, ou sermos totalmente conhecedores do que é melhor para cada um de nós, é algo que poucos alcançam. Por isso a vida é bem interessante. Força e um grande beijo de quem te admira

 
At 9:02 da tarde, Blogger Nuno Martins said...

um beijinho bom.

 
At 11:34 da tarde, Blogger EuMulher said...

Vida é sempre bom receber a tua visita. Este blog nada mais é que um relato de experiencias de vida. E gosto de trocar ideias, penso que isso ajuda muito nas nossas aprendizagem e faz, talvez, com que nos sintamos mais acompanhados. Afinal todos temos aprendizagens a fazer, e algumas têm pontos comuns. Beijinhos

 
At 11:40 da tarde, Blogger EuMulher said...

Anonimo... se ha palavra que nao gosto muito é: coitadinho/a.Todos esses factores: autoconfiança; autoestima; autocontrolo... penso que sempre variam em nós. Mas vamos tentando que estejam sempre, nao digo em alta, mas pelo menos que nao muito em baixo. Digamos que sao plantinhas que temos de ir regando e cuidando.Mas existe sempre um grande tendencia a nao nos responsabilizarmos por tudo o que acontece na nossa vida e arranjamos sempre um "monte" de desculpas nos outros, na sociedade... e depois queremos que esses mesmos factores exteriores nos compensem de alguma maneira quando nao estamos bem. Somo humanos! A vida é interessante sim, com os seus altos e baixos .Obrigada pela força Um beijo e muita Luz para ti

 
At 11:41 da tarde, Blogger EuMulher said...

Nuno Martins... um beijinho para ti tambem e obrigada pela tua visita.

 
At 1:16 da tarde, Anonymous pilgrimando said...

Temos de facto muita pressa. Passamos a vida a correr, sem criarmos espaço para agarrarmos na tesoura e para apararmos as sebes revoltosas do nosso jardim interior. Depois temos acesso a uma vida semi-vivida que nos mina a interioridade, a nossa confiança, a nossa auto-estima e o nosso caminho: vêm os medos a coalhar-nos a acção e a capacidade de lutarmos pelo que é verdadeiramente importante. Temos medo de nós e do encontro connosco.
Então percebemos que o tempo urge a mostrar a nossa pequenez nas lágrimas que se deixam cair, quatro a quatro. E tememos mais uma vez a solidão. Não porque achemos que a culpa é dos outros, mas porque sabemos ser de nós próprios. Porque somos nós que criamos a nossa própria solidão, na fuga aos outros, sem sabermos lidar com o que resta: a nudez da nossa existência a gritar-se sem a possibilidade de não ser ouvida.
A realidade a crescer como sombra. A dar lugar à luz?
Obrigado pela partilha da tua experiência e por nos mostrares, na tua generosidade, que os caminhos tortuosos também podem desembocar em ansiados momentos de paz.
Obrigado por este espaço
Beijinho com a admiração

 
At 2:51 da tarde, Blogger Nuno Martins said...

Continua a escrever sobre sentimentos, sensações...
Obrigado pela maravilhosa pessoa que és e tens sido cmg.
Beijinhos

 
At 2:59 da tarde, Blogger EuMulher said...

pilgrimando...na nossa vida realmente vamos deixando muita coisa para trás tal é a pressa com que tudo se passa à nossa volta. Vi há dias um programa sobre o tempo no canal Odisseia. Um físico acabou por varios exemplos e experiências provar que a passagem do tempo tem a ver com a nossa atitude. Já se provou que em casos de riscos de acidente, morte, em que o indice da adrenalina sobe o tempo passa de uma forma mais lenta. Mas isto é uma conversa que dá pano para mangas...Comigo o factor tempo nunca se revelou como medo. Medo de nao conseguir chegar ao que queria... até aprendi,que tudo tem o seu ritmo, nao adianta estarmos ansiosos ou cruzarmos os braços porque tudo vai acontecendo na devida altura. É claro se cruzarmos os braços por muito tempo levamos "chamadas de atenção". O meu grande medo, alias eram e de certa forma ainda são: o medo do desconhecido, e o medo de ao mudar, ao abraçar o apelo a transformçao, perder as pessoas que mais amo. E no fundo com as resistencias acabei de certa forma por perder. Às vezes sentia-me como se estivesse a enganar as pessoas. Como se fosse uma fraude. No fundo tinha sido ate ali a pessoa que nao era. Como iam reagir as pessoas que sempre me conheceram? Como suportariam uma pessoa diferente? Mas as coisas não sao assim. Eu fui como fui na altura que era para ser assim. Todos mudamos e as pessoas que nos rodeiam acompanham ou nao essa mudança, mas isso tambem faz parte da mudança delas! E as coisas tambem nao sao assim tao bruscas... todos nos vamos adaptando. Outra coisa que eu acho de uma extrema importancia é não ficarmos obcecados com a mudança. Ela nao surge assim de repente quando acordamos de manha. Vamos fazendo o melhor que sabemos, aos tropeçoes, a correr, a passo lento... tudo se vai sentindo. Faz de cada silencio um momento de festa para ti. Nao estas nem nunca estaras sozinho.Nao sei se leste o post que recomendei... isso é uma meditaçao que podes fazer. Nao te preocupes se a primeira ou a segunda nao resulta mas vai ao teu "jardim" e tenta captar as mensagens que precisas de "ouvir", sem julgamentos...Ops... mais uma vez me alonguei, é o que dá darem me "trela". P.s tambem podes ler, se quiseres, o meu post de 27 de Setembro Às vezes pequenas coisas podem fazer grandes mudanças!Há é que ser persistente, e sentir se coisas que nos aconselham se adaptam a nos ou nao, ou fazer as adaptaçoes que forem precisas. Certas coisas não têm de ser levadas à risca, temos de aprender a sentirmo nos e a fazer o que para nós nos faz sentir bem! Isto sao as minha opinioes, eu que nao gosto de ser fundamentalista em nada. Tudo isto leva-nos ao autoconhecimento, assim aprendamos a dizer "não" quando é preciso. Beijinhos

 
At 11:56 da tarde, Blogger Stella Noir said...

entendo muito bem isso de "estar rodeada de familia e amigos e sentirmo-nos sozinhos" ultimamente sinto-me muito assim e de certa forma este texto ilucidou-me em relacao a minha responsabilidade perante a forma como me sinto... e sempre mais facil culpar os outros nao e?

p.s vou continuar a visitar

beijinhos


Romy

 

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