Essencia de Mulher

Um blog para mulheres e homens de mente aberta

terça-feira, dezembro 20, 2005

Brincar e aprender... brincar ou aprender...

Todos nós já vimos e sentimos, de uma maneira ou outra, o que é uma criança a receber e desembrulhar um presente. Há tempos li num livro uma passagem que vos deixo aqui e que me deu que pensar. Eu sempre procurei oferecer aos meus filhos, sobrinhos e outras crianças presentes didácticos. Hoje já não penso tanto assim. Ao olhar para os jovens de hoje sinto que têm pouca criatividade e não sabem brincar. Misturam um pouco a brincadeira com actos de mais responsabilidade ou levam brincadeiras demasiado a sério. Penso que cada etapa da vida deve ser devidamente vivida. Uma criança é uma criança e deve viver plenamente como tal. Crescer depressa demais não é bom. Mais tarde pagam-se as consequências. Deixo-vos aqui então uma curta passagem do livro: "Felicidade existe" de Shawn Christopher Shea, se quiserem reflectir.
" A nossa sociedade tem tendência para nos enquadrar a todos numa raça, onde o valor é determinado em função do número de objectivos que conseguimos alcançar. Até já começou ao ponto de contagiar malignamente os nossos infantários onde, em vez de se divertirem a brincar e a socializar, os nossos filhos são literalmente obrigados a aprender, e se não o fizerem, são considerados uns falhados aos quatro anos de idade. Até que ponto é que isso é doentio? A resposta é: muito doentio. Os "brinquedos didácticos" são um negócio multimilionário, um dos mais estranhos e singulares oxímoros de todos os tempos. O objectivo destes brinquedos é que as crianças aprendam enquanto brincam; não sei qual a opinião do leitor mas isto não me soa a brincadeira mas sim aprendizagem, ou seja, a trabalho escolar. Talvez me esteja a escapar alguma coisa.
A propósito, o que seria de nós actualmente se um dos nossos familiares nos perguntasse « O que é que vais fazer este Verão?» e não lhe respondessemos algo do género, «Vou preparar as Olimpíadas de Verão de 2020. Inscrevi o meu filho numa escola de futebol, nas lições de natação, na reparação de bicicletas ( não vá ele dedicar-se um dia ao triatlo) e na leitura intensiva de autores do século XX que podem vir a ser importantes na sua preparação para a universidade. Nunca se sabe. Acho que ele vai ter um Verão fantástico, muito divertido.» Uma vez cometi o erro de responder honestamente a esta pergunta ao comentar:« Sabes, acho que vou simplesmente deixá-los descansar este Verão. Não fazer nada. Só brincar. Trabalharam tanto na escola, acho que merecem uma pausa.» Silêncio. Depois ouvi: « Ah, isso é óptimo.» Dito num tom em que parecia que eu tinha dito que ia mandar os rapazes fazerem uma cirurgia para alteração de sexo. Nessa noite fiquei à espera de que os Serviços para a Infância e Juventude me batessem à porta para me informarem de que os meus vizinhos tinham apresentado queixa de mim, alegando negligência. Não estou a brincar, a coisa está a ficar feia. E quem perde são os nossos filhos porque não lhes é permitido serem crianças."

1 Comments:

At 8:19 da manhã, Anonymous Anónimo said...

De facto, a conclusão mais uma vez é que receitas para educar não há, e mais que as sugestões científicas ou comerciais, não sei!!!, será melhor a sensibilidade dos Pais - sigam-na, e sobretudo façam-nos conhecer o mundo real....

 

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